Um lado da neuropsicologia trata o diagnóstico como sentença biológica: está nos genes, está no cérebro, acabou a conversa. O outro lado responde que nada disso existe — que é tudo rótulo inventado. Os dois erram pelo mesmo motivo: falam da categoria e esquecem da pessoa que está na frente deles.
Eu defendo a posição do meio, que é a mais trabalhosa. Existe um cérebro que funciona de um jeito específico — e existe um mundo desenhado para outro jeito de funcionar. A dificuldade nasce nesse encontro. Por isso a avaliação aqui olha para os dois lados: o que é seu, e o que é do contexto que exige de você o que não exige dos outros.
E uma coisa eu deixo riscada no papel desde a primeira sessão: o objetivo deste trabalho nunca é deixar você normal. É deixar a sua vida vivível — do seu jeito de funcionar.